Nem mais meu livro aberto me diz coisas.
Tenho ouvido muito e falado pouco.
Tenho visto de um tudo e fechado os olhos muito pouco.
Tenho sentido pouco diante do tanto
que sorrisos estranhos, e belos, mas tão familiares,
tem me dado desde que acordo.
tem me dado desde que acordo.
Tenho desistido de tantas promessas,
esquecido tantos pedidos,
abandonado tantos vícios...
Tenho acordado tarde.
Dormido tarde.
Veio tudo tão tarde que já não me faz falta se me falta.
E como falta!
Nem mais as roupa pretas lá jogadas,
na minha bagunça, me satisfazem.
Nem mais a nostalgia das tardes de outono,
as folhas caídas,
e os anjos, também caidos, se sente.
E as asas cortadas?
Já nem se pode mais tentar voar.
Nem tentar olhar pro sol.
Nem pras estrelas, coitadas, lá em cima
tão paradas... Nos vigiando.
Nem se pode mais esperar,
nem desesperar,
nem fugir, nem ficar.
O que acalma são vozes antes de dormir...
que me cantam as tristezas,
suas esperanças, o que não vem,
o que lhes falta.
Depois me deixam sonhar com elas,
e sonhar de novo, e de novo.
Despertam-me.
Desertam-me.
Não posso as deixar ir!
27.05.2012


