terça-feira, 31 de julho de 2012

Pedi pra não mais lembrar

se não se lembrasse...
Foi.
Não voltou como queria.
Voltei como era, e mais calada.
Não quis mais te lembrar,
me vinham lágrimas...
Não havia,
não há maneira de fugir do que agora é só lembrança.
Ficou gravado
Tatuado na memória aquele raiar do sol, gelado
e o vento cortante
e teu riso, encharcado de sentimento,
e a leveza da tua pele, poética.
Se fosse possível apagar
faria denovo!
Ariscaria denovo!
Viveria denovo!
Tatuaria lembranças, denovo!
Teu sorriso aquece,
teu olhar tem verdade,
fascinam-me!
Os queria mais perto...
Queria também ser assim.



30.07.2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Estou me calando


Já tenho asco do que escrevo.
Mesmas palavras, versos iguais,
reticencias...
Se foi o sentido,
anda em falta no meu livro a tua vírgula
e o que viria depois dela.
É escassa tua presença, quiçá meus versos então...
Me sinto pobre, me sinto podre
da poesia que falta.
Me sinto nua
desprovida de instinto poeta que esparrama meus cabelos.
Meus olhos te percorriam e te desenhavam no papel, e te desejavam.
Ainda desejam.
Me tornei repetitiva em sentimentos,
em inicios, em esperanças
e nestes versos.
Meu remédio, meu prazer
me envenenaram, se voltaram contra mim.
Houve quem ousou desistir,
acabei aos poucos me silenciando.
Pouco ouço minha voz.
Era a promessa, te lembras?
Tenho medo de morrer calada e só gritar por dentro.
Medo de procurar a estrada para o fim dos tempos e a encontrar.
Tenho medo de ver meu fim aproximar-se.
Não me deixe consumir pelo meu próprio desperzo,
pelo meu próprio medo.
Não me deixe ir antes de te dar meu adeus.
Não me deixe ir.
Não me deixe calar.


22.07.2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sorri



 Tua voz adocica meus ouvidos.
Efeito nostalgico, ao fechar os olhos.
Flutuar.
Deliro, suspiro,
embalo minha mente na tua suavidade.
Decoro cada gesto, 
teus passos, o despertar.
Sonho com teu sorriso,
sorrio, revivo.
Pode fazer frio, calor,
trocar de estação as vezes que quiser,
as vezes que forem necessarias,
podem acabar-se as estações.
Será igual.

Te olhar no fundo dos olhos,
olhos nos olhos, é longe.
Sentir o calor de teu corpo
no meu, é longe também.
Tocar tua boca,
ainda é muito longe.
Sair do ar é ouvir-te.
Sair do ar é recordar-te a cada segundo.
Sair do ar é respirar e sentir teu cheiro.
Sair do ar é procurar-te,
e não encontrar.

Sair do ar,
voltar ao ar.

Sorrir é também chorar,
ir é também retornar,
te impedir é também te deixar,
te amar é também te odiar.
Desistir é também continuar.

Só peço que não deixes de sorrir,
mesmo que o dia seja cinza.


12.07.2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Não se explica


Quer que eu explique minha poesia?
Poesia não se explica!
Ou você entende,
ou não entende.
Ou você sente,
ou não sente. 
Se preciso leve a vida,
outras vidas,
as minhas também, para decifrar...
Mas, poesia que é poesia,
não se explica!
Apenas.


05.07.2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Adeus


Se eu silenciar mais esta vez,
virar a cara, evitando estes olhos,
se eu desistir de mais uma vez,
se me fizer desistir mais uma vez por de mim desistir,
Se eu silenciar mais esta vez,
não ouvirão mais minha voz!


04.07.2012