segunda-feira, 23 de julho de 2012

Estou me calando


Já tenho asco do que escrevo.
Mesmas palavras, versos iguais,
reticencias...
Se foi o sentido,
anda em falta no meu livro a tua vírgula
e o que viria depois dela.
É escassa tua presença, quiçá meus versos então...
Me sinto pobre, me sinto podre
da poesia que falta.
Me sinto nua
desprovida de instinto poeta que esparrama meus cabelos.
Meus olhos te percorriam e te desenhavam no papel, e te desejavam.
Ainda desejam.
Me tornei repetitiva em sentimentos,
em inicios, em esperanças
e nestes versos.
Meu remédio, meu prazer
me envenenaram, se voltaram contra mim.
Houve quem ousou desistir,
acabei aos poucos me silenciando.
Pouco ouço minha voz.
Era a promessa, te lembras?
Tenho medo de morrer calada e só gritar por dentro.
Medo de procurar a estrada para o fim dos tempos e a encontrar.
Tenho medo de ver meu fim aproximar-se.
Não me deixe consumir pelo meu próprio desperzo,
pelo meu próprio medo.
Não me deixe ir antes de te dar meu adeus.
Não me deixe ir.
Não me deixe calar.


22.07.2012

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