Chovia. Chorava.
Lentamente. Apressada, triste, com raiva.
Molhava um pouco os cabelos. Lavava o rosto.
Uns protegiam-se. Ela se expunha á chuva,
e as lágrimas.
Saiu sem nem olhar nos olhos dos pais.
Ela saiu, debaixo de chuva, sem se demorar,
sem dar importância a qualquer ângulo ao seu redor.
Queria sair dali, fugir dos rostos que a fizeram desmoronar.
Soluçava, chorava, estava vermelha.
Cruzava os braços tentando esconder o que todos que por ela passavam
viam despencar de seus olhos.
Lavava seu rosto, junto com as lágrimas do céu cinza.
Me partiu o coração.
O dela já estava.
Me senti em seu lugar.
E senti que também tinha motivos para lavar-me os olhos de chuva, e lágrimas.
Senti.
Chorei por dentro por muito tempo, também,
quando a vi levar as mãos aos olhos para tentar secar sua dor,
sua raiva, tristeza.
Não se chora assim por nada.
Saudade também faz despencar.
Também dói.
Também é chuva.
Nem se o sol voltar os olhos dela irão parar de chover.
A não ser que alguém o faça.
26.10.2012

