domingo, 20 de outubro de 2013

Infelicidade


Não estou feliz!
Não me sinto feliz comigo mesma.
Tudo na minha vida é lindo, 
tudo na minha vida anda,
tudo na minha vida é colorido, e está bem.
Menos eu. Por minha causa.
Pela minha ausência de causa.
Pela minha essência exausta.
Pela minha indecência.
Pela minha inocência inválida.
Pela minha falta.
Por meu silêncio, incomodo, hoje.
Pela minha falta.
Pela minha sobra de tempo correndo em silêncio, 
enquanto a vida passa
e aqui permaneço.
Não estou feliz!
Me morro por dentro, me dói o peito. 
Dói. Corrói.
Não estou feliz, nem sinto que faço feliz aquele coração que me espera.
Nem sinto que tal coração possa ainda me esperar.
Não vá.
Eu não estou feliz, comigo mesma...
Eu não suporto mais minha própria dor,
minha própria falta, minha própria carne ardendo.
Não estou feliz.
Não consigo me fazer feliz.

Coração, que aí me lê, me vê, me ama
e me clama, a cada dia mais, por uma resposta...
me salve da minha infelicidade!
Antes que eu morra de horrores e destas dores rasgantes...
Porque eu não estou feliz.


20.10.2013

domingo, 6 de outubro de 2013

Desabafo


Eu sinto dores.
Dores físicas,
dores psíquicas,
dores que nem são minhas.
Eu sinto horrores.
Horrores do mundo,
horrores imundos,
que talvez só existam no eu.
Tenho acordado mal,
tenho dormido mal,
tenho me envergonhado ao olhar além
do que os olhos físicos alcançam.
É hipocrisia, é calmaria,
é sofrer, é querer,
É nariz empinado em gente que nem altura tem.
Altura em pé.
Altura em fé.
Em caráter.
Me faz dolorir, 
engolir tanto excesso.
Me faz passar mal.
Me faz sentir ódio em silêncio.
Se for falar, te condenam.
Se for escrever, te apedrejam.
Se for mostrar, te censuram.

Se for tentar viver, te matam.


06.10.2013

domingo, 29 de setembro de 2013

Meu inferno e meu céu


Comigo sou poeta. Com ele poesia.
Inconstante dor na alma. Completa calmaria.
Não sei, será, por que assim? Felicidade, sim, sei onde está!
Desejo, medo perseguido. Me satisfaz, oh doce beijo.
Já vai tarde, é o fim. Fique mais, te quero assim.

O poeta é louco morto. A poesia viva, viva.
Tão distante este mundo incerto. Tão perto meu céu eterno.
Comigo canso os olhos. Com ele descanso a vida.
Distúrbio premeditado. Equilíbrio.

Espero as horas passarem. Com ele passam depressa.
Vejo os dias chegarem, mas não me deixam livrar das tormentas.
E passam tão ligeiros, que me afogam.
Parece um medo, uma amarra, me tranca aqui parada.
Sofro!

Comigo sou poeta, torta, embaraçada, sem solução.
Com ele sou poesia, liberta, pacifica, eu mesma.


28.09.2013

sábado, 31 de agosto de 2013

Cheiro da Infância



Acordei. Abri a janela do meu quarto, respirei fundo 
e me inundei de um doce aroma, 
que há muito tempo...
que depois de alguns pares de anos de rotina, não sentia mais.
Veio misturado ao vento leve e fresco, 
me amolecendo e deixando fluir lembranças...

A cada vez que inspirava sentia entrar uma harmonia profunda, 
leveza,
doçura,
inocência!
Era o cheirinho da quase primavera, 
do doce de algumas flores do mato, 
dos brotos e folhas novas nas árvores, 
cheiro de renovação...
um cheiro que lembra minha infância!

Senti saudades do tempo em que não tínhamos preocupações,
nem rancores, nem medos.
A vida era tão mais simples, tão mais pura,
assim como o aroma doce desta manhã.

Belo dia em que fui abrir a janela!
Abri também a janela da infância,
respirei saudades, 
fechei os olhos e vi a vida.
Belo dia em que pude ver o quanto detalhes não são apenas detalhes.

Belo dia o de hoje, 
que como os que o doce aroma das flores me fizeram recordar,
não volta mais!



31.08.2013

sábado, 29 de junho de 2013

Pra ti!

Nem me importa se estou cansada,
se meus olhos não se seguram mais abertos,
se meu corpo não acompanha mais o ritmo da minha mente.
Não tem importância se a chuva não cessa,
se a hora se apressa,
ou se demora horas a passar.
Não tem problema algum eu não ter nem mais tempo para meu sono
nem se meu sonho, noite passada, foi pesadelo.
Eu tenho você.
Apenas. E basta!
Não faz diferença ter que me arrastar humilhada,
ou quem sabe estraçalhada,
ou até mesmo quase morta, se tenho você.
Tantas vezes que digo, reforço, repito,
mesmo que eu perca a voz de tanto falar
não deixarei de sublinhar, enfatizar, negritar,
aumentar a fonte,  e se precisar subir até o mais alto monte,
plantar uma placa
com teu nome e meu nome
e um coração desenhado a mão,
no meio. O faço.
Mesmo que o sigilo presente, não seja o melhor presente que eu possa te dar,
não se demora o tempo, que nem mesmo o vento vai deixar de escutar
a nossa harmonia, a nossa sincronia, a nossa telepatia
e mais tudo o que vem com elas.
Só dizer que te amo, não basta nem devasta
não foge nem fica,
não diz que sim nem que não.
Dizer Te Amo, é mais quente do que o sol,
mais longe que até as estrelas mais velhas,
mais fundo do que ultrapassar o centro do mundo
e sair na outra ponta.
É mais do que viver, é mais do que morrer, é muito mais do que se pode escrever.
Porém, enquanto apenas seres humanos,
imundos ou mais limpinhos,
temos apenas fala e verso como opção
de abrir nosso coração e guardar nosso alguém la dentro.



27.06.2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Último suspiro

Pedi pra que não me deixassem calar.
Aos céus,
aos ventos,
aos mares,
á terra.
Nenhum quis me ouvir.
Não me deixaram pensar.
Nem falar.

Corri até onde aguentei.
Enfrentei dragões, lobos, leões
e ninguém viu, ninguém fez questão de ver.
Foi então que gritei minhas dores,
e me fizeram calar.

Calarei,
sim, calarei.
É o que o céu quer,
é o que o vento mandou dizer
que o mar sussurrou á terra
para me ensurdecer, e me calar.

Assim, será.
Morrerei.


25.04.2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Minha mente divaga a milhões de quilômetros por segundo.
Minha sanidade está abalada.
Meu coração moído.
Minha pouca bondade, desacreditada.
São fatos, boatos, pesadelos.
Seres humanos são imundos.
Porcos sem vida.
Choro e morro por dentro.
Não sei se dormirei,
se minha consciência sairá ilesa de todas estas atrocidades que nos cercam.
Se minha culpa pode ser perdoada na hora do meu juízo final.
Minha culpa por existir nesta dimensão do medo.
Do ódio.
Do horror.
Sou fraca. Muito fraca. E temo.
Temo não mais descansar enquanto existir.
Não sou deste mundo.
Não posso ser.
Sinto não fazer parte desta massa de corpos podres
e sem sentimentos, e bondade, e dó.
Que decompõem-se como lixo em suas tumbas fétidas.
Não sou isso.
Aqui dentro não tenho disso. Nem quero tê-lo!
Façam o favor de tirar-me a vida, se me virem contrariando-a.

Por que, Senhor, assim?
Por que, Senhor, estes humanos assim?


16.04.2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Meu tempo



Há algum tempo não abria os olhos as nove e meia,
amolecida pelo sol tímido de inicio de outono.
Não lembrava mais como era despertar depois do dia já ter começado.
Depois da lua ter ido dormir,
depois do vento fresco do amanhecer também já ter se ído.
Me nostalgia mais o meu corpo quente
o meu café da manhã atrasado, 
mas vagaroso, em que me dou o tempo para saboreá-lo.
Indescritível.
Há algum tempo não abria os olhos disposta, sorrindo forte,
reavivada.
Há algum tempo não suportava falar nem bom dia ao abrir os olhos.
Mas continuo não suportando. 
Mania.
Há algum tempo, também, corro e nem paro para parar.
Nem meu corpo, nem minha mente.
Talvez por isso, as palavras sumidas do ontem, não vinham mais.
Precisava parar.
Precisava respirar, quieta. 
Acordar quieta.
Precisava amanhecer na hora que o corpo se achasse em hora.
Fazer seu ciclo sozinho.
Há algum tempo, digo ainda, não vivia a felicidade que vivo.
Não sabia nem o que era, quem sabe então, vive-la...
Veio, paulatinamente, um ventinho doce e leve me circundando e
Levando-me, ao passar das estações, 
para este céu aqui embaixo.
Céu! Isto mesmo que a felicidade é.
E, há algum tempo, nem imaginava o que era.
Nem o que era acordar com um sorriso, mesmo em meio a dores. 
E o melhor... sincero.




22.03.2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fuga


Não sei por que as palavras me fugiram. 
Não precisavam fazer isso comigo. As amo.
Por que é que não digito apressada, mais, tentando acompanhar meu cérebro mais ágil?
Digam-me, palavras, por que não veem mais?
Por que não me deixam mais me expor?
Por que não me deixam mais me deliciar nos versos curtos?
Por que não me deixam mais amar aqui?
Minha mente tem estado em tão grande estado de nostalgia.
Tem se banhado um bocado neste mar novo, amor novo, amar. A mar.
Tem se deixado esquecer de marcar o tempo que passa. Aliás, é o que menos importa.
O que mais importa é que passe, e bem.
Minha mente tem estado tão inteira e limpa.
Tranquila.
Por que é que só querem aparecer, palavras, quando meus extremos se ressaltam?
Por que é que não me assusta e me faz correr atrás de um lápis e papel, pra te despejar nele?
Por que?
Voltem. As quero. 
Quero minha vida, aqui, sempre.
Quero esbanjar minha extrema felicidade, aqui.
Quero viver aqui.
Palavras, as amo. Deixem-me viver.
Aqui.



21.03.2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Não sei escrever em prosa



Tudo bem, admito: Não sei escrever em prosa. Nem em rosa, nem inverso, só em verso. Eu verso. Converso em verso. Com verso eu verso. Converso eu com verso. Verso. Mas não prosa. Nem em rosa.
Não sei. Não sei chinês, nem francês, nem russo, mas nem preciso. Não sei voar (de verdade), nem nadar, nem ando de bicicleta, nem pulo janela. Não sei pilotar. Nunca fui a Roma, nem visito minha vizinha. Não sei tocar instrumentos, nem patinar, nem fazer bonecos de neve. Aliás, aqui só nevou uma vez. Devia ter uns seis anos. Quase não sei dizer não, nem adeus, mesmo que precise. Não sei trocar lâmpada, nem pneu, nem sei de onde vem tudo isso. Nem fazer prosa eu sei. Veja só que desastre!
Não sei se é amor, se é dor, se é rancor disfarçado de bom moço. Não sei se o que vejo todos veem, e sentem e veem, e sentem. Não sei se sei sentir, se o que sinto é sentir, e se é assim que deveria ser. Não sei meias palavras, nem meias ideias, nem meias brancas e limpinhas me fazem pensar que é assim que teriam que ser. Não sei o que é ser. Se souber me ensine. "Só sei que nada sei". - Ah, pare com isso, escreva seus próprios versos, suas próprias palavras. - É, isso eu sei, só não sei escrever em prosa, nem em rosa. - Sim, serve. Desde que seja seu.
Não sei de muita coisa, mas sei... não é mais como era há pouco atrás. Sei cozinhar, sei desenhar, sei costurar, sei lavar, sei bordar, sei passar. - Oh, que moça prendada. - É, pelo menos eu sei.
Sei voar (não de verdade)... sei voar, sei... voar. É, minha mente voa bastante, sim. E eu gosto. Não me importo se insensíveis riem disso, nem se me chamam de louca. Sou louca mesmo. Sorte a minha! Mas não sei dizer mais do que sei. É mais fácil do que não sei, como por exemplo escrever em prosa, e em rosa. Sim, vou repetir, para que fique claro.
Me deixa mais louca essa loucura de me fazer prosear. Não sei o que deu na cabeça de quem inventou isso.  Deve ser alguém que não tem nada pra fazer, assim como eu. - Me dá nós nos neurônios, moço, me fazer prosear.
Mesmo assim continuo não sabendo. Nem sabendo onde está, nem sabendo se dá pra um dia te ver. Nem sabendo se o calor vai acalmar, e não vai chover. Continuo não sabendo amar, mesmo ele, o amor, ter batido a minha porta "e eu a-bri! Senhoras e senhores, põe a mão no chão! Senhoras e senhores, pulem num pé só! Senhoras e senhores, dão uma rodadinha, e vão... pro olho" da lua, pois lá é bem mais perto pra se alcançar as estrelas, mesmo que eu não saiba nem como fazer isso. 
Não sei se deveria pedir desculpas, não sei se fiz certo viver o que vivi, não sei se arrepender-se vale de alguma coisa. Não sei se as pessoas mudam, não sei se o céu é azul mesmo, ou é só ilusão. Não sei dormir de luz ligada, nem sem cobertor. Não sei trocar de cor, mas seria bem legal. Não sei ser normal. E nem quero. Não sei até que ponto posso chegar, nem qual é o ponto em que devo parar. Não sei. Nem quero saber.
Não quero saber do passado, nem do futuro. Não quero saber como você vai, nem quero que volte. Não quero que o lado de lá seja melhor que o de cá. E não será. Não quero saber se me quer longe daqui, e vou sozinha. Não quero incômodos, nem cômodos. Não quero saber de ignorantes, insensíveis, e ridículos. Quero o novo, o simples, o belo, o sincero. Aquele que não se acha tão fácil. É, e demorei pra encontrar.
Não sei sé pra ser meu, não sei se sou pra alguém. Não sei cantar, nem sei dançar valsa, me perco nos passos. Não sei. Eu nem sei escrever em prosa, nem em rosa... Nem sei se existe mesmo o amor, nem se sei o que é amar, se sei amar. Não sei. Só sei versar. 


10.01.2013