sábado, 24 de março de 2012

Deixe-me aqui


Me deixe aqui, no meu silencio.
no meu humor descontrolado,
no meu braço rabiscado,
na minha calma,
anestesiada.
Me deixe aqui, no quarto escuro,
esperando uma luz brotar das pedras
que me trancam.
Aguardando uma vida soprar teu perfume
pra perto dos meus sentidos,
pra te recordar.
Pra te encontrar.
Estou aqui, solita em amarguras,
soltando em linhas puras
os poucos versos que agora me vem.
Me falta o toque,
já me dão saudade teus beijos,
as mãos quentes...
o cessar do vento.
Mas deixe-me aqui, com coração apertado,
suspirando a todos os lados,
e as lágrimas lentas beirando os olhos.
Deixe-me.
Foram, todos, tão rápidos
aqueles minutos guardados,
o teu abraço apertado, que não terminava...
já foi.
Debruçada na cama lamento,
espero, desespero,
que tormento!
O corpo clama pelor calor do teu,
chama pra perto...
te quer.
Mas tenho que continuar aqui
em breves palavras citadas,
contidas numa longa espera.
Tecendo caminhos,
desviando espinhos,
guardando o sorriso pro grito final.


24.03.2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Antes de você


Estava tudo tão quieto até você chegar.
Estava tudo tão sereno, calmo demais.
O sol brilhava solito, no canto dele.
Não fazia por merecer.
Brilhava quando queria, quanto queria...
até se esquecer.
A lua, por enquanto, dormia
não nos deixava anoitecer.
Os ventos leves sumiam, retornavam
sem avisar.
E quando mais queriamos ele não vinha,
demorava a chegar.
Era noite.
Passavam os dias.
Agonia.
Era muita paz, até você chegar.

Olhares corriam pelas ruas,
procuravam, fugiam...
não viam ninguém.
Era tudo muito quieto.
Os segundos passavam devagar,
as pessoas não se prestavam a pensar
nada se importava a existir
tudo custava a chegar.
As folhas caíam,
as pastagens secavam,
a chuva chegava,
porém os versos ainda faltavam.

Faltavam forças para pisar,
o chão não tinha chão.
Os céus estavam longe demais.
O ar era inrespirável..
sobrava falta de espaço
no quadrado fechado em que somos sujeitos a existir
e depositar nossas vidas
enquanto o mundo fica girando,
e nos nauseando,
até ele cansar.
Mas era quieto demais.


23.03.2012

domingo, 18 de março de 2012

Você me nasceu




Me nasceu.
Me recriou.
Me ensinou a dar passos com pés diferentes.
Fez-me chorar.
Fez-me sorrir muitas vezes mais.
Me trouxe as palavras, os versos, sonhos.
Um oceano.
Um oceano habitado de loucuras,
poesia pura,
saudades e desejos,
rancores, suspiros, horrores,
vida!
Tu és vida aos meus ouvidos.
Tua música, voz, exemplo,
sorriso,
são vida!
Teus detalhes, lembranças,
manias,
rabiscados, até mal afinados,
tua vida, é vida aos meus ouvidos.
Tu és paz!
Calma, conselho, perdão,
sossego, canção.
Tu és montanha.
Inalcansável a quem não sabe te ver,
Imcompreensível a quem não conhece,
Impossível a quem não quer estar lá em cima
para admirar o quão belo é o mundo.

Te roubo emprestadas as palavras
quando não as tenho,
porque vim de ti.
Te roubo emprestados os conselhos
para te devolve-los quando precisas,
porque no final sempre nos fazem sorrir.
Te roubo emprestado
porque, simplesmente,
vim de ti.

Minha poesia, minha intolerância, meu grito,
minha calma, minha dor, meu silêncio,
minha inocência, malícia, minha esperança,
meu sarcasmo, meu riso, minhas lágrimas,
as escondidas, as que me lavam,
as guardadas.
Meu melhor guia, em dias escuros alegria,
gargalhada doida no final do dia,
fechar os olhos pra ver a luz,
fechar os olhos e ouvir tua luz.
Meu sono, a falta, a volta dele,
novos gostos, gestos, viveres,
minhas palavras ao vento,
as presas no papel,
as que ainda nem gestaram, todas,
tudo.
Vem de ti!

Porque você me nasceu.


Para meu melhor amigo: Thiago Sanches.
Muito Obrigada por tudo!


13.03.2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sem pressa



Minha brisa é mais leve debaixo das minhas árvores.
Meu céu é mais azul,
minhas nuvens são mais puras.
Meu passado, que jamais voltará, se prendeu em amarguras.
O presente é o que me convém.
Paciência, amigo.
Tudo ao seu tempo.
Cada ponteiro com seu segundo,
cada gota no seu mundo,
cada esquina com seu vagabundo.
Não tenhais pressa, o que é teu não foge.

15.03.2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Por quê assim?

... Por quê sempre igual?
Por quê pra mim?
Por quê sempre normal?
Por quê doer? 
Por quê passar?
Por quê não ter, ou deixar rolar?
Por quê sorrir, quando se quer chorar?
Por quê chorar de rir, quando se quer matar?
Por quê voltar a se ferir, quando se quer sarar?
Por quê ver o fim, quando acabou de iniciar?
Por quê cuspir, quando se quer beijar?
Por quê dormir, se não quer sonhar?
Por quê existir, se não quer amar?




13.03.2012

terça-feira, 6 de março de 2012

A Morte



E se a morte chegar aos seus olhos?
Se ela vier pra ficar?
E te inundar?
Ela te abraça de surpresa,
ela não te diz quando vem
como vem e nem a quem.
Ser forte não é o bastante pra fugir dela.
Ela te ganha muito antes do que voce imagina,
muito antes dos teus sentidos perceberem.
é uma doença silenciosa, rápida,
sem cura e sem volta.
Te tira o fôlego em um grito
em menos de um segundo.
A morte não te mata, apenas.
Mata todos ao teu redor.
Mata o sorriso, o brilho nos olhos,
a vontade de vida.
Ela mata as estrelas durante o dia,
por isso a noite é cada vez mais escura.
Ela te assalta em casa, fora dela.
Assalta tua vida.
E não te devolve, nem que tu emplores.
A morte, porém, tem misericórdia.
Não te avisa quando vem, para que não sofras.
Mas quando vem, não te dá direito de desistir ou voltar.
É misericordiosa e cruel.
Não prepara teu leito para que não te machuque as costas.
Ela te presenteia com um sono profundo, delicado,
eterno.
Não te dá direito de ver tua filha, antes.
Nem teu pai, teu futuro ex-mundo.
A morte simplifica teus sofrimentos
e abrevia teu futuro.
Abrevia o sossego,
abrevia os sorrisos,
as palavras.
Não te deixa um tempo pra dizer um 'te amo' antes de partir.
Nem o 'boa noite' antes do último dormir.


06.03.2012

Quem sou eu?



Eu sou minhas palavras
meu silêncio
minhas máscaras
minha cara.
Tua face desgostada
tua língua enrolada
dedos cruzados e
passos distantes do solo,
são você.
São eu.
Sou eu.
Eu sou tuas palavras
teu despertar,
o amanhecer dengoso,
o esperar.
Sou nuvens inexistentes,
indagações persistentes,
voar.
Verso o amor,
o rancor, a dor,
até o sol se pôr...
Sou o escuro limpo,
um frescor que sinto
em tuas veias pulsar.
E não mais me falta
o que pensar,
se me lembro de ti
retorno a recordar
que não passo de meras palavras
escritas aqui e
perdidas no ar.


05.03.2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Delírio




Um segundo, apenas.
Um simples piscar de olhos,
já basta.
No instante perfeito,
de preto, me deito,
e te vejo de longe.
Debaixo de chuva
um coração salta pela boca,
explode, e volta ao seu lugar.
Debaixo de chuva,
um sol ardente te segue.
Cima a baixo viajo,
em teus olhos, teu corpo,
viajo.
Sem passagem de volta.
Rasga no peito uma vontade incessante,
um desejo latente
de ver teus olhos vidrados aos meus.
Delirios ao te recordar.
Delirios ao sentir-te perto,
mas fugindo sem querer...
A imagem não sai da memória,
não aparece outra coisa em minha frente
além dos teus passos calmos,
do teu jeito de andar,
de mecher nos cabelos,
de estar ali.
De não mais estar ali.
Me faltará o sono novamente,
me faltará paciência, novamente.
As palavras voltaram para ficar.
Você as trouxe, sem saber.
Diferente, todo diferente.
Inteiro, por completo, diferente.
Único!
Me devolveu os versos, a ansciedade,
a pressa, a voraz vontade de jogar aos ventos
e plantar, ao mesmo tempo,
os versos que vem de ti.


01.03.2012