quinta-feira, 25 de abril de 2013

Último suspiro

Pedi pra que não me deixassem calar.
Aos céus,
aos ventos,
aos mares,
á terra.
Nenhum quis me ouvir.
Não me deixaram pensar.
Nem falar.

Corri até onde aguentei.
Enfrentei dragões, lobos, leões
e ninguém viu, ninguém fez questão de ver.
Foi então que gritei minhas dores,
e me fizeram calar.

Calarei,
sim, calarei.
É o que o céu quer,
é o que o vento mandou dizer
que o mar sussurrou á terra
para me ensurdecer, e me calar.

Assim, será.
Morrerei.


25.04.2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Minha mente divaga a milhões de quilômetros por segundo.
Minha sanidade está abalada.
Meu coração moído.
Minha pouca bondade, desacreditada.
São fatos, boatos, pesadelos.
Seres humanos são imundos.
Porcos sem vida.
Choro e morro por dentro.
Não sei se dormirei,
se minha consciência sairá ilesa de todas estas atrocidades que nos cercam.
Se minha culpa pode ser perdoada na hora do meu juízo final.
Minha culpa por existir nesta dimensão do medo.
Do ódio.
Do horror.
Sou fraca. Muito fraca. E temo.
Temo não mais descansar enquanto existir.
Não sou deste mundo.
Não posso ser.
Sinto não fazer parte desta massa de corpos podres
e sem sentimentos, e bondade, e dó.
Que decompõem-se como lixo em suas tumbas fétidas.
Não sou isso.
Aqui dentro não tenho disso. Nem quero tê-lo!
Façam o favor de tirar-me a vida, se me virem contrariando-a.

Por que, Senhor, assim?
Por que, Senhor, estes humanos assim?


16.04.2013