quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Não sei escrever em prosa



Tudo bem, admito: Não sei escrever em prosa. Nem em rosa, nem inverso, só em verso. Eu verso. Converso em verso. Com verso eu verso. Converso eu com verso. Verso. Mas não prosa. Nem em rosa.
Não sei. Não sei chinês, nem francês, nem russo, mas nem preciso. Não sei voar (de verdade), nem nadar, nem ando de bicicleta, nem pulo janela. Não sei pilotar. Nunca fui a Roma, nem visito minha vizinha. Não sei tocar instrumentos, nem patinar, nem fazer bonecos de neve. Aliás, aqui só nevou uma vez. Devia ter uns seis anos. Quase não sei dizer não, nem adeus, mesmo que precise. Não sei trocar lâmpada, nem pneu, nem sei de onde vem tudo isso. Nem fazer prosa eu sei. Veja só que desastre!
Não sei se é amor, se é dor, se é rancor disfarçado de bom moço. Não sei se o que vejo todos veem, e sentem e veem, e sentem. Não sei se sei sentir, se o que sinto é sentir, e se é assim que deveria ser. Não sei meias palavras, nem meias ideias, nem meias brancas e limpinhas me fazem pensar que é assim que teriam que ser. Não sei o que é ser. Se souber me ensine. "Só sei que nada sei". - Ah, pare com isso, escreva seus próprios versos, suas próprias palavras. - É, isso eu sei, só não sei escrever em prosa, nem em rosa. - Sim, serve. Desde que seja seu.
Não sei de muita coisa, mas sei... não é mais como era há pouco atrás. Sei cozinhar, sei desenhar, sei costurar, sei lavar, sei bordar, sei passar. - Oh, que moça prendada. - É, pelo menos eu sei.
Sei voar (não de verdade)... sei voar, sei... voar. É, minha mente voa bastante, sim. E eu gosto. Não me importo se insensíveis riem disso, nem se me chamam de louca. Sou louca mesmo. Sorte a minha! Mas não sei dizer mais do que sei. É mais fácil do que não sei, como por exemplo escrever em prosa, e em rosa. Sim, vou repetir, para que fique claro.
Me deixa mais louca essa loucura de me fazer prosear. Não sei o que deu na cabeça de quem inventou isso.  Deve ser alguém que não tem nada pra fazer, assim como eu. - Me dá nós nos neurônios, moço, me fazer prosear.
Mesmo assim continuo não sabendo. Nem sabendo onde está, nem sabendo se dá pra um dia te ver. Nem sabendo se o calor vai acalmar, e não vai chover. Continuo não sabendo amar, mesmo ele, o amor, ter batido a minha porta "e eu a-bri! Senhoras e senhores, põe a mão no chão! Senhoras e senhores, pulem num pé só! Senhoras e senhores, dão uma rodadinha, e vão... pro olho" da lua, pois lá é bem mais perto pra se alcançar as estrelas, mesmo que eu não saiba nem como fazer isso. 
Não sei se deveria pedir desculpas, não sei se fiz certo viver o que vivi, não sei se arrepender-se vale de alguma coisa. Não sei se as pessoas mudam, não sei se o céu é azul mesmo, ou é só ilusão. Não sei dormir de luz ligada, nem sem cobertor. Não sei trocar de cor, mas seria bem legal. Não sei ser normal. E nem quero. Não sei até que ponto posso chegar, nem qual é o ponto em que devo parar. Não sei. Nem quero saber.
Não quero saber do passado, nem do futuro. Não quero saber como você vai, nem quero que volte. Não quero que o lado de lá seja melhor que o de cá. E não será. Não quero saber se me quer longe daqui, e vou sozinha. Não quero incômodos, nem cômodos. Não quero saber de ignorantes, insensíveis, e ridículos. Quero o novo, o simples, o belo, o sincero. Aquele que não se acha tão fácil. É, e demorei pra encontrar.
Não sei sé pra ser meu, não sei se sou pra alguém. Não sei cantar, nem sei dançar valsa, me perco nos passos. Não sei. Eu nem sei escrever em prosa, nem em rosa... Nem sei se existe mesmo o amor, nem se sei o que é amar, se sei amar. Não sei. Só sei versar. 


10.01.2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário