Tudo bem que me calei,
tudo bem que também se calou.
Não temos culpa se não querem mais nos ouvir.
Porém faz falta.
Era melodia infinda.
Dor intrínseca,
calculista e gélida.
Era fervor, mesmo dor.
Era sussurro.
Perturbação sonora que rasgava veias.
Era tornado, e sol, e chuva, e deserto.
E falta.
Meu calar ao fim da estação, também nos calou.
Teu calar, teu calor,
faltam.
Tua voz me falta.
Falta, falta, falta,
tanto falta ...
hora dessas já nem mais.
Nem nada mais.
Neste canto, encostada, não consigo ver a cor dos teus olhos.
Deste lado da estrada é difícil te alcançar.
Nessa altura da vida abraços já fazem falta...
E massageiam a alma quando voltam.
Mas ainda faltam.
22.10.2012

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