Era hora dele dormir e das estrelas bailarem na noite que se aproximava.
Estava tudo combinado.
Já era hora dos olhos se encontrarem novamente. Já era hora do abraço caloroso, denovo, os unir. Já estava mais que na hora dos lábios juntos matarem uma saudade que consumia as forças.
Cada minuto era contado, cada segundo parecia eternidade.
E passava cada minuto, cada segundo numa infinita eternidade, até que enfim...
Que abram-se os sorrisos. Que brilhem os olhos de felicidade. Unam seus corpos. Estrangulem a saudade. Que matem essa vontade!
Cada vez, sempre como se fosse a primeira, insana, ardente, contente.
Cada vez aquele frio na barriga.
Cada vez. Toda vez: um sorriso gigante no rosto.
Toda vez, única. Toda única vez, perfeita.
Sem pressa, sem perder tempo, pra agora, pra ontem, intenso.
Sem multidão, um só. Muitos ninguéns, um só.
Só um.
Só um beijo a faz sorrir feito boba o tempo todo
A faz sonhar acordada, ve-lo em sua frente feito miragem.
Só um beijo lhe tira a razão, faz sentir-se fora do chão, incansavelmente.
Só lamenta-se o tempo, a distância. O fim dos tempos, fim desejado da distância.
Mas tão pouco tempo, pra nenhuma distância...
Tanta distância, pra tão pouco tempo.
Naquela noite estrelas são cúmplices, espiam escondidas no céu negro aberto...
Guardam segredos pro sol não saber, que naquela noite, que não se achou lua,
duas almas carentes, enfim sorridentes
puderam no ardor da saudade e nas milhas de milhões de horas
pôr um fim.
19.10.2011
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