um sol tímido, ás dez, derrubando folhas,
vento calmo e doce,
um silêncio penetrante e canto de pássaros.
Me lembram tempos em que não precisava-se pensar em horários
e cumprir ordens, e preocupar-se.
Não precisava pensar em outra coisa senão subir em árvores,
se sujar na terra,
correr na rua sem perigo algum,
dormir, brincar e comer.
Sentir o cheiro das flores sem medo.
Sorrir e vislumbrar-se com as borboletas
tão coloridas quanto lápis de cor,
colecionar formigas,
fazer de bonecas, nossas filhas,
da sombra das árvores, nossa casinha.
E de uma manhã de outono, o resto da nossa vida.
Por vezes caem no esquecimento estas lembranças,
tão puras, eternas.
Em que não era necessário devermos explicações a todo mundo,
só perguntar tudo, pra todo mundo,
porque ele, o mundo, era todo nosso,
tinhamos que saber quem era ele.
Nosso maior encômodo era apenas ter que parar de brincar para tomar banho,
e ter que dormir.
Mas não era lá tão encômodo, pois o dia seguinte já chegava denovo.
E as pequenas tristezas, as pequenas mágoas,
já iriam sarar.
Se as horas passavam, nem sabiamos.
Se demoravam a passar, menos ainda.
Nada era dificil, nada era feito por maldade
não existia maldade, naquele tempo.
Me recordam muito a infância... tardes alaranjadas.
Finais de tarde com gosto de saudade de brincar o dia inteiro.
E quando começava a anoitecer.. esperar e esperar
pra ver a primeira estrela,
e pedir pra ela tanta coisa...
Sentada nas pedras, no meio da rua
desejava me tornar princesa.
Desejava encontrar um principe.
Desejava ser grande.
Hoje desejo voltar e mudar o ultimo pedido.
E quando a mãe chamava pra entrar
diziamos para esperar mais um pouco,
"a gente recém começou a brincar, mãe".
Duravam eternidades aqueles minutos chorados.
Após, voltavamos pra casa com sorrisos largos, já noite,
realizados,
com joelhos ralados, canelas batiras, sujos,
e felizes por termos gasto toda nossa vida bricando naquele dia.
"Amanhã a gente brinca de novo, amiga, tchau!"
10.05.2012

O futuro vira nosso corredor
ResponderExcluirO sentimento da conquista e da dor
O leve sussurro de um amanhecer
Um dia inteiro sem motivos para correr
O amor e o ódio levando nossa alegria
Levando nossos antigos sonhos em uma corrida
Onde a inocência morre
E o destino apenas descobre
As areias de uma antiga lembrança
O sonho honesto de uma simples criança
O palhaço se cala em um canto escuro
Os dias se avermelham, e nada é mais puro...
Eu volto para fazer parte do seu dia...
que lindo, Anônimo!
ResponderExcluirfico muito feliz que tenha voltado :D