sábado, 8 de fevereiro de 2014

Portas


Existe poeta quando existe dor, amor,
na falta dele, na ida dele.
Existe poesia no beijo dado, no sussurro guardado, no olhar da despedida,
na lágrima caída, no não.
Poesia dói. Poesia mata.
Poesia é feita dos pedaços da alma do poeta.
É escrita com as cores da alma do poeta, e
é jogada aos ventos como amores
se ficam, se vão
não se sabe.

Declaro abertas as portas dos versos.
Dos meus versos tristes, do amor descoberto, do peso na alma que é amar.
Do peso que é desamar, ter que deixar.
Declaro abertas as portas dos versos..
aqueles soltos, que vem e vão e nunca ficam.
Aqueles que outrora eram sorrisos e suspiros,
que eram brilho nos olhos, 
que eram pulsar,
que eram.
Declaro abertas as portas dos ventos...
e que levem. 
Levem tudo que já nem tenho, 
que embaracem os meus cabelos, 
que levem o tempo e me adormeçam, e me acalmem
e me guardem, e me sustentem.

Quando se fica sem chão, se voa.
Que eu voe.


08.02.2014

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