quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mesmo assim




Me beija forte como da última vez?
Me abraça eternamente?
Faz brilhar as estrelas por debaixo da chuva.
Pega minha mao e me leva pro longe mais longe que existe?
Não deixa o tempo passar em branco...
quero te ver antes do sol se pôr.
Antes que o amanha se vá.
Antes do mundo acabar.

Sonhar acordado é pouco, 
não dormir, não é nada.
Suspirar e sentir um choro guardado, faz parte.
Esperar, esperar, e mesmo assim continuar esperando,
e nem se dar conta que o outono chegou 
e logo vai embora.
Não deixe ele passar em branco.
Não deixe as folhas todas cairem.

Me deixa te ver ali
onde o silêncio tem som...
onde o sol bate inclinado pra onde ele quer,
ali do lado da janela onde os pássaros cantam,
e as árvores sussurram contigo nos meus ouvidos.
Me deixa ser forte, e te mostrar.
Me deixa sentir tua pele.
Me deixa ser feliz de vez enquando,
mesmo que nunca possa ser pra sempre, 
mesmo que nunca possa ser.


25.04.2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Recomeço



Inesperadamente
reaparece um sopro de vida.
Seu riso tímido dá sinais
de ainda estar vivo.

As esperanças não foram perdidas,
mesmo tarde,
ou muito cedo pra voltar,
os olhos já podiam brilhar,
sentia sua alma renascer.
Estava feliz, sem motivos aparentes.
Vagarozamente,
mas estava feliz.
Não acreditava que pudesse ser logo
Estava feliz por ter ficado feliz,
e os olhos se inundaram de lágrimas aliviadas.
Tal qual crianças ao ganharem doces,
ao serem presenteadas,
tal qual as flores, 
quando são, pelas abelhas, beijadas.

Sorria com alivio, 
suas palavras voltaram a correr sobre as linhas
com pressa, vorazes,
novamente.
Não queria mais nada do que viver.
Era apenas o que precisava: viver!
E continuar a sorrir!


16.04.2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

Meu pedaço


 Meus nervos não são de aço,
já me falta um pedaço...
que devo ter perdido, deixado cair por ai.
Quero meu pedaço de volta.
O necessito para sobreviver. 
É minha chama, meu despertar,
meu grito com vontade, minha paz.
Meu pedaço está aqui, porém longe, ainda.
Sinto.
Talvez os ventos tenham te guardado pra não te perder,
mas não te encontrei novamente.
Não vi mais teus olhos...
me fazem falta!
E quando o coração clama com força,
com toda sua força,
não há como suportar.
Meu pedacinho perdido por ruas estreitas,
por ruas desconhecidas, 
no escuro,
por detrás das árvores,
por detrás de outros olhos,
tenho medo de não mais achá-lo.
Preciso sentir que está por perto
Tenho que ter certeza de que ainda está aqui.
De que adianta ver um horizonte engolindo o sol
no final da tarde, e não ver-te?
De que adianta ter estrelas explodindo de tanto brilho,
na noite, 
se o brilho dos teus olhos está perdido, pedacinho meu?
Se um suspirar fosse o suficiente para te trazer aqui
não precisariam existir lágrimas de saudade,
nem dores no peito que não saram,
nem um não sonhar a noite.
Meu pedaço de paraíso é em teus braços,
na tua segurança.
Faz-me sorrir até o fim dos dias, por favor!


03.04.2012

sábado, 24 de março de 2012

Deixe-me aqui


Me deixe aqui, no meu silencio.
no meu humor descontrolado,
no meu braço rabiscado,
na minha calma,
anestesiada.
Me deixe aqui, no quarto escuro,
esperando uma luz brotar das pedras
que me trancam.
Aguardando uma vida soprar teu perfume
pra perto dos meus sentidos,
pra te recordar.
Pra te encontrar.
Estou aqui, solita em amarguras,
soltando em linhas puras
os poucos versos que agora me vem.
Me falta o toque,
já me dão saudade teus beijos,
as mãos quentes...
o cessar do vento.
Mas deixe-me aqui, com coração apertado,
suspirando a todos os lados,
e as lágrimas lentas beirando os olhos.
Deixe-me.
Foram, todos, tão rápidos
aqueles minutos guardados,
o teu abraço apertado, que não terminava...
já foi.
Debruçada na cama lamento,
espero, desespero,
que tormento!
O corpo clama pelor calor do teu,
chama pra perto...
te quer.
Mas tenho que continuar aqui
em breves palavras citadas,
contidas numa longa espera.
Tecendo caminhos,
desviando espinhos,
guardando o sorriso pro grito final.


24.03.2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Antes de você


Estava tudo tão quieto até você chegar.
Estava tudo tão sereno, calmo demais.
O sol brilhava solito, no canto dele.
Não fazia por merecer.
Brilhava quando queria, quanto queria...
até se esquecer.
A lua, por enquanto, dormia
não nos deixava anoitecer.
Os ventos leves sumiam, retornavam
sem avisar.
E quando mais queriamos ele não vinha,
demorava a chegar.
Era noite.
Passavam os dias.
Agonia.
Era muita paz, até você chegar.

Olhares corriam pelas ruas,
procuravam, fugiam...
não viam ninguém.
Era tudo muito quieto.
Os segundos passavam devagar,
as pessoas não se prestavam a pensar
nada se importava a existir
tudo custava a chegar.
As folhas caíam,
as pastagens secavam,
a chuva chegava,
porém os versos ainda faltavam.

Faltavam forças para pisar,
o chão não tinha chão.
Os céus estavam longe demais.
O ar era inrespirável..
sobrava falta de espaço
no quadrado fechado em que somos sujeitos a existir
e depositar nossas vidas
enquanto o mundo fica girando,
e nos nauseando,
até ele cansar.
Mas era quieto demais.


23.03.2012

domingo, 18 de março de 2012

Você me nasceu




Me nasceu.
Me recriou.
Me ensinou a dar passos com pés diferentes.
Fez-me chorar.
Fez-me sorrir muitas vezes mais.
Me trouxe as palavras, os versos, sonhos.
Um oceano.
Um oceano habitado de loucuras,
poesia pura,
saudades e desejos,
rancores, suspiros, horrores,
vida!
Tu és vida aos meus ouvidos.
Tua música, voz, exemplo,
sorriso,
são vida!
Teus detalhes, lembranças,
manias,
rabiscados, até mal afinados,
tua vida, é vida aos meus ouvidos.
Tu és paz!
Calma, conselho, perdão,
sossego, canção.
Tu és montanha.
Inalcansável a quem não sabe te ver,
Imcompreensível a quem não conhece,
Impossível a quem não quer estar lá em cima
para admirar o quão belo é o mundo.

Te roubo emprestadas as palavras
quando não as tenho,
porque vim de ti.
Te roubo emprestados os conselhos
para te devolve-los quando precisas,
porque no final sempre nos fazem sorrir.
Te roubo emprestado
porque, simplesmente,
vim de ti.

Minha poesia, minha intolerância, meu grito,
minha calma, minha dor, meu silêncio,
minha inocência, malícia, minha esperança,
meu sarcasmo, meu riso, minhas lágrimas,
as escondidas, as que me lavam,
as guardadas.
Meu melhor guia, em dias escuros alegria,
gargalhada doida no final do dia,
fechar os olhos pra ver a luz,
fechar os olhos e ouvir tua luz.
Meu sono, a falta, a volta dele,
novos gostos, gestos, viveres,
minhas palavras ao vento,
as presas no papel,
as que ainda nem gestaram, todas,
tudo.
Vem de ti!

Porque você me nasceu.


Para meu melhor amigo: Thiago Sanches.
Muito Obrigada por tudo!


13.03.2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sem pressa



Minha brisa é mais leve debaixo das minhas árvores.
Meu céu é mais azul,
minhas nuvens são mais puras.
Meu passado, que jamais voltará, se prendeu em amarguras.
O presente é o que me convém.
Paciência, amigo.
Tudo ao seu tempo.
Cada ponteiro com seu segundo,
cada gota no seu mundo,
cada esquina com seu vagabundo.
Não tenhais pressa, o que é teu não foge.

15.03.2012