domingo, 4 de dezembro de 2011

Me levem



Mil ventos, leves,
sorrateiros, me levam ao teu encontro.
Me abraçam, leves,
os ventos, que te trouxeram.
Que me carreguem, mil vezes,
e que me levem
Pro longe mais perto que houver, de ti.
Pro perto mais longe que não houver, de mim.
Só assim, quando existir saudade
poderei matá-la sem dó.
Sem piedade, antes que ela me mate.


04.12.2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O primeiro, amor?



Sempre assim, ela o via todos os dias, mas ainda não tinha se acostumado.
Era automático, ele simplesmente dizia um oi e ela pulava de alegria por dentro.
Ela sentia, sentia que havia alguma coisa. Ela tinha esperanças de que ele sentisse alguma coisa também. Não poderia ser em vão.
Mas ela o via com outras, seria para fazer ciúmes ou porque ele nem a notava?
Tantas dúvidas, tantos sentimentos.
Ela se sentia insegura, tinha vontade de falar, mas tinha medo de ouvir a resposta.
Assim se passou algum tempo, nada mudou. A mesma rotina feliz, porém triste de todos os dias.
Ela dava indiretas, ela tentava de algum modo fazer com que ele percebesse que ela queria mais do que amizade. Mas ele nada entendia, ou nem mesmo percebia.
Ocasionalmente eles conversavam, ele olhava para ela, mas ela não sabia o que se passava na cabeça dele. Será que ele pensava a mesma coisa que ela? Será que o que os olhos dela falavam, os dele diziam a mesma coisa?
Como saber, sem perguntar com palavras.. ?
Dúvidas, muitas dúvidas. Vontades.. sim, muitas também..
Resultados? Paira o silêncio.
Às vezes ele chegava perto, para perguntar ou falar de algum assunto, e ela tinha vontade de agarrá-lo e não soltar mais, mas se controlava, porque seria loucura.
Os amigos dela já tinham percebido o que ela sentia por ele, todos perceberam, menos quem ela queria que percebesse.
Será que algum dia ele entenderá? Será que algum dia ela desistirá? Será que algum dia eles serão felizes juntos?
Não se sabe, ninguém sabe.
Se houver amor, o futuro reservará uma linda história, caso não, paciência.
O mundo não pode parar, ele continuará girando.



Escrito por Júlia Roberta Lanzini (minha amiga lindona, de 13 aninhos, de Campinas do Sul - RS)
e Bruna Isabela Daniel.
04.12.2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Ilusão



Nada passa de uma visão encantadora e perfeita, quando na verdade, perfeição é uma ideia ilusória. Utopia. Podemos até nos enganarmos, e fingirmos acreditar naquilo, porém a verdade sempre continuará a nos machucar a face e, quem sabe, a alma, com sua realidade inescrupulosa e cruel. Podemos nos alegrar e sentir prazer na nossa fantasia, mas sempre saberemos que não passam de fantasmas, e que suas sequelas nos assombrarão por tempo.
Passamos dias da nossa vida esperando, crendo, que estes fantasmas talvez não tivessem sido fantasmas, que tivessem existido e nos feito diferença. Que tivessem nos carregado, nos amparado, nos anestesiado quando faltava o tal sopro de vida na rotina inútil que a sociedade moldou e que seguimos a risca. Talvez ate o fizeram, porém pouco. Tão pouco a ponto de nem se notar.
A crueldade da verdade. A ilusão da perfeição.
É sempre a mesma coisa. Se acredita no que se diz, se acredita no que se lê, se acredita no que lhe dizem, se acredita em tudo. E na hora de olhar nos olhos e falar a verdade, seja cruel, massacrante, demoniaca, que seja... não se faz. A verdade dói. Fere. Machuca ferimentos mais do que ja estão machucados. Mata. Mas é precisa, se precisa.
Todos esperam, sempre, que todos sejam verdadeiros, sinceros, que não escondam nada, que sejam o mais perfeitos o possivel, mas não são. Ninguém é, e só quer que os outros sejam. Os outros. Falam demais, ou silenciam demais. Falam de menos, gritam demais. E só esperam. Só exigem. E não são.
 É tão mais fácil dizer: ' me diga sempre a verdade, nunca esconda nada de mim.' e no final das contas esconder da pessoa sua vida, sua personalidade, fingir ser alguem só pra agradar e sempre esperar mais dos outros. É tão fácil ficar em silencio e fazer de conta que o mundo lá fora nao lhe faz diferença, que as pessoas do mundo lá fora estão lá só para ocupar espaço, que estas mesmas pessoas podem estar preocupadas, implorando mentalmente por uma explicação que não se faz... é tão mais fácil isolar-se, mandar as pessoas se afastarem por meros caprichos nossos, sem fundamentos. É tão mais fácil dizer 'não quero' e deixar as coisas de qualquer jeito, deixar as pessoas largadas de qualquer jeito, como se fossem brinquedos que não se quer mais brincar... é mais fácil. Não o correto. Não o que se deveria, mas é o mais fácil, então ninguém mais se importa.
Perfeição: ideia ilusória. Tão ilusória quanto o Papai Noel do natal. Você acha que existe, lhe fazem acreditar que seja real, insistem em dizer que realmente há... MAS NÃO HÁ!
Não adianta você fazer tudo quanto pode, quanto não pode, quando deveria e até quanto nunca poderia para ser perfeito, e nem para que os outros o sejam. Ninguem vai lembrar de você todos os dias de sua vida, ninguém vai te esperar por toda vida, ninguém vai gostar de voce mais do que voce mesmo.
Não adianta, também, esperar alguem perfeito, que te entenda sempre, que te apoie sempre, que te ouça sempre, que te queira sempre, que te olhe e não se importe se você não está muito bem vestido, que não fique reparando e colocando o dedo na sua cara por causa dos seus defeitos, que não te julgue pela aparencia...
É perda de tempo esperar. Esperar alguma coisa que não é sua. Esperar alguma coisa que talvez nunca tenha sido. Talvez nunca será o que nunca foi. Talvez nem seja o que era pra ter sido, ou esperavamos que fosse. Ou até foi o que deveria ter sido, mesmo não tendo sido nada.
Espere somente que esteja vivo para amanhã poder sorrir, já que sempre fazem de tudo para lhe tirar até o sorriso.



"Quando enfim deixarem de buscar a perfeição alheia e nos apontar o dedo nos julgando, e aceitarem que cometem os mesmos erros e procurar a própria reparação e perfeição. Quando eles pararem de se importar com o que tal pessoa aparenta ser, e encontrar o que ele realmente é, talvez começarão a olhar os outros como realmente são."(SANCHES, Thiago L.)


Bruna Isabela Daniel + Thiago L. Sanches
Obrigada amigo, pela paciência principalmente.. ^^
06.11.2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mais um sorriso




A chuva do céu caía
Um sorriso bobo surgia
Era felicidade, era felicidade.
Uma saudade que acabava
como pingos que agora molhavam
a terra seca de um sol ardente.
O sorriso bobo.. sincero, silencioso,
que há tempos estava escondido
numa vírgula colocada na vida
deles.
Pairou felicidade, por entre trovões.
Voltou alívio,
bateram forte os corações. Era preciso.
 Tempo impreciso, que marca encontros,
desencontros, sorrisos.
Era preciso.
Aos poucos vêm as palavras...
sorrateiras e ativas
pacientes e sentidas.
Esperam só o sol voltar, clarear o dia.
Bombear mais alegria
a cada todo amanhecer,
entardecer...
viver.


24.11.2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Só fez falta a lua

 
O sol se pôs.
Era hora dele dormir e das estrelas bailarem na noite que se aproximava.
Estava tudo combinado.
Já era hora dos olhos se encontrarem novamente. Já era hora do abraço caloroso, denovo, os unir. Já estava mais que na hora dos lábios juntos matarem uma saudade que consumia as forças.
Cada minuto era contado, cada segundo parecia eternidade.
E passava cada minuto, cada segundo numa infinita eternidade, até que enfim...
Que abram-se os sorrisos. Que brilhem os olhos de felicidade. Unam seus corpos. Estrangulem a saudade. Que matem essa vontade!
Cada vez, sempre como se fosse a primeira, insana, ardente, contente.
Cada vez aquele frio na barriga.
Cada vez. Toda vez: um sorriso gigante no rosto.
Toda vez, única. Toda única vez, perfeita.
Sem pressa, sem perder tempo, pra agora, pra ontem, intenso.
Sem multidão, um só. Muitos ninguéns, um só.
Só um.
Só um beijo a faz sorrir feito boba o tempo todo
A faz sonhar acordada, ve-lo em sua frente feito miragem.
Só um beijo lhe tira a razão, faz sentir-se fora do chão, incansavelmente.
Só lamenta-se o tempo, a distância. O fim dos tempos, fim desejado da distância.
Mas tão pouco tempo, pra nenhuma distância...
Tanta distância, pra tão pouco tempo.
Naquela noite estrelas são cúmplices, espiam escondidas no céu negro aberto...
Guardam segredos pro sol não saber, que naquela noite, que não se achou lua,
duas almas carentes, enfim sorridentes
puderam no ardor da saudade e nas milhas de milhões de horas
pôr um fim.

19.10.2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011


"As pessoas alegres fazem mais loucuras do que as pessoas tristes, 
porém, as loucuras das pessoas tristes são mais graves."

                                               Mihai Eminescu

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Invisível

Você me vê, finge que não me vê, 
mas eu vejo!
Eu te vejo, 
te persigo, 
te pesquiso e você nem vê.
Te encaro, 
desencaro, 
atropelo e paro.
Reconstituo,
aniquilo tudo, sem você ver.
Te conquisto, te desisto.
Te quero, te esqueço.
Não quero, não esqueço.
Te vejo de longe, bem longe, bem longe.
Fique longe!
Te condeno, te maltrato, 
te desprezo.
Te olho, te sinto, 
te espero... nunca mais ver.

03.10.2011