sábado, 10 de setembro de 2011

Noite de vela cheia



A luz da vela era tudo o que iluminava aquele quarto. O silêncio era o maior ruído que a noite fazia. Debaixo de suas cobertas ela mergulhava intensamente nas palavras que lia, nas páginas e páginas que, sem perceber, folhava. Estava tão intrigada que nem mesmo seus olhos piscavam ou seus músculos se mexiam, a não ser para folhar. O suspense tomava conta de seu consciente e as horas passavam sem se notar.
A cada segundo a vela diminuía e as páginas a serem devoradas também. Não queria parar. Os fatos estavam devera interessantes e não a deixavam quase respirar. Sentia enorme prazer em ser a única acordada àquela hora, sob a luz da vela que restava, devorando palavras com cada vez mais voracidade. Era como um lobo estraçalhando sua presa numa noite de lua alaranjada com vento azulado sem barulho algum para não chamar atenção dos caçadores, caso contrario ele é que seria caçado.
Aquela história, apesar de um pouco tosca, prendia a atenção, mesmo se distraindo às vezes, cuidando do toco de vela que ia terminado e de seus olhos que enxergavam pouco sob aquela luz fraca. Não tinha mais sono. Queria desvendar o mistério que a encarceravam aquelas palavras.
Estava ao mesmo tempo com medo pelo suspense que havia e anestesiando-se pelo sono que lhe vinha com a luz cada vez mais escassa. Continuou, até dizer em sussuro: “está bom por hoje, vou deixar para amanhã também...”
Com cautela, para não despertar qualquer ser vivo que dormia, guarda seu livro, dá um sopro leve e adormece o pedacinho de vela para em segundos adormecer seu corpo também.


11.08.2011

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