domingo, 29 de setembro de 2013

Meu inferno e meu céu


Comigo sou poeta. Com ele poesia.
Inconstante dor na alma. Completa calmaria.
Não sei, será, por que assim? Felicidade, sim, sei onde está!
Desejo, medo perseguido. Me satisfaz, oh doce beijo.
Já vai tarde, é o fim. Fique mais, te quero assim.

O poeta é louco morto. A poesia viva, viva.
Tão distante este mundo incerto. Tão perto meu céu eterno.
Comigo canso os olhos. Com ele descanso a vida.
Distúrbio premeditado. Equilíbrio.

Espero as horas passarem. Com ele passam depressa.
Vejo os dias chegarem, mas não me deixam livrar das tormentas.
E passam tão ligeiros, que me afogam.
Parece um medo, uma amarra, me tranca aqui parada.
Sofro!

Comigo sou poeta, torta, embaraçada, sem solução.
Com ele sou poesia, liberta, pacifica, eu mesma.


28.09.2013

sábado, 31 de agosto de 2013

Cheiro da Infância



Acordei. Abri a janela do meu quarto, respirei fundo 
e me inundei de um doce aroma, 
que há muito tempo...
que depois de alguns pares de anos de rotina, não sentia mais.
Veio misturado ao vento leve e fresco, 
me amolecendo e deixando fluir lembranças...

A cada vez que inspirava sentia entrar uma harmonia profunda, 
leveza,
doçura,
inocência!
Era o cheirinho da quase primavera, 
do doce de algumas flores do mato, 
dos brotos e folhas novas nas árvores, 
cheiro de renovação...
um cheiro que lembra minha infância!

Senti saudades do tempo em que não tínhamos preocupações,
nem rancores, nem medos.
A vida era tão mais simples, tão mais pura,
assim como o aroma doce desta manhã.

Belo dia em que fui abrir a janela!
Abri também a janela da infância,
respirei saudades, 
fechei os olhos e vi a vida.
Belo dia em que pude ver o quanto detalhes não são apenas detalhes.

Belo dia o de hoje, 
que como os que o doce aroma das flores me fizeram recordar,
não volta mais!



31.08.2013

sábado, 29 de junho de 2013

Pra ti!

Nem me importa se estou cansada,
se meus olhos não se seguram mais abertos,
se meu corpo não acompanha mais o ritmo da minha mente.
Não tem importância se a chuva não cessa,
se a hora se apressa,
ou se demora horas a passar.
Não tem problema algum eu não ter nem mais tempo para meu sono
nem se meu sonho, noite passada, foi pesadelo.
Eu tenho você.
Apenas. E basta!
Não faz diferença ter que me arrastar humilhada,
ou quem sabe estraçalhada,
ou até mesmo quase morta, se tenho você.
Tantas vezes que digo, reforço, repito,
mesmo que eu perca a voz de tanto falar
não deixarei de sublinhar, enfatizar, negritar,
aumentar a fonte,  e se precisar subir até o mais alto monte,
plantar uma placa
com teu nome e meu nome
e um coração desenhado a mão,
no meio. O faço.
Mesmo que o sigilo presente, não seja o melhor presente que eu possa te dar,
não se demora o tempo, que nem mesmo o vento vai deixar de escutar
a nossa harmonia, a nossa sincronia, a nossa telepatia
e mais tudo o que vem com elas.
Só dizer que te amo, não basta nem devasta
não foge nem fica,
não diz que sim nem que não.
Dizer Te Amo, é mais quente do que o sol,
mais longe que até as estrelas mais velhas,
mais fundo do que ultrapassar o centro do mundo
e sair na outra ponta.
É mais do que viver, é mais do que morrer, é muito mais do que se pode escrever.
Porém, enquanto apenas seres humanos,
imundos ou mais limpinhos,
temos apenas fala e verso como opção
de abrir nosso coração e guardar nosso alguém la dentro.



27.06.2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Último suspiro

Pedi pra que não me deixassem calar.
Aos céus,
aos ventos,
aos mares,
á terra.
Nenhum quis me ouvir.
Não me deixaram pensar.
Nem falar.

Corri até onde aguentei.
Enfrentei dragões, lobos, leões
e ninguém viu, ninguém fez questão de ver.
Foi então que gritei minhas dores,
e me fizeram calar.

Calarei,
sim, calarei.
É o que o céu quer,
é o que o vento mandou dizer
que o mar sussurrou á terra
para me ensurdecer, e me calar.

Assim, será.
Morrerei.


25.04.2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Minha mente divaga a milhões de quilômetros por segundo.
Minha sanidade está abalada.
Meu coração moído.
Minha pouca bondade, desacreditada.
São fatos, boatos, pesadelos.
Seres humanos são imundos.
Porcos sem vida.
Choro e morro por dentro.
Não sei se dormirei,
se minha consciência sairá ilesa de todas estas atrocidades que nos cercam.
Se minha culpa pode ser perdoada na hora do meu juízo final.
Minha culpa por existir nesta dimensão do medo.
Do ódio.
Do horror.
Sou fraca. Muito fraca. E temo.
Temo não mais descansar enquanto existir.
Não sou deste mundo.
Não posso ser.
Sinto não fazer parte desta massa de corpos podres
e sem sentimentos, e bondade, e dó.
Que decompõem-se como lixo em suas tumbas fétidas.
Não sou isso.
Aqui dentro não tenho disso. Nem quero tê-lo!
Façam o favor de tirar-me a vida, se me virem contrariando-a.

Por que, Senhor, assim?
Por que, Senhor, estes humanos assim?


16.04.2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Meu tempo



Há algum tempo não abria os olhos as nove e meia,
amolecida pelo sol tímido de inicio de outono.
Não lembrava mais como era despertar depois do dia já ter começado.
Depois da lua ter ido dormir,
depois do vento fresco do amanhecer também já ter se ído.
Me nostalgia mais o meu corpo quente
o meu café da manhã atrasado, 
mas vagaroso, em que me dou o tempo para saboreá-lo.
Indescritível.
Há algum tempo não abria os olhos disposta, sorrindo forte,
reavivada.
Há algum tempo não suportava falar nem bom dia ao abrir os olhos.
Mas continuo não suportando. 
Mania.
Há algum tempo, também, corro e nem paro para parar.
Nem meu corpo, nem minha mente.
Talvez por isso, as palavras sumidas do ontem, não vinham mais.
Precisava parar.
Precisava respirar, quieta. 
Acordar quieta.
Precisava amanhecer na hora que o corpo se achasse em hora.
Fazer seu ciclo sozinho.
Há algum tempo, digo ainda, não vivia a felicidade que vivo.
Não sabia nem o que era, quem sabe então, vive-la...
Veio, paulatinamente, um ventinho doce e leve me circundando e
Levando-me, ao passar das estações, 
para este céu aqui embaixo.
Céu! Isto mesmo que a felicidade é.
E, há algum tempo, nem imaginava o que era.
Nem o que era acordar com um sorriso, mesmo em meio a dores. 
E o melhor... sincero.




22.03.2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fuga


Não sei por que as palavras me fugiram. 
Não precisavam fazer isso comigo. As amo.
Por que é que não digito apressada, mais, tentando acompanhar meu cérebro mais ágil?
Digam-me, palavras, por que não veem mais?
Por que não me deixam mais me expor?
Por que não me deixam mais me deliciar nos versos curtos?
Por que não me deixam mais amar aqui?
Minha mente tem estado em tão grande estado de nostalgia.
Tem se banhado um bocado neste mar novo, amor novo, amar. A mar.
Tem se deixado esquecer de marcar o tempo que passa. Aliás, é o que menos importa.
O que mais importa é que passe, e bem.
Minha mente tem estado tão inteira e limpa.
Tranquila.
Por que é que só querem aparecer, palavras, quando meus extremos se ressaltam?
Por que é que não me assusta e me faz correr atrás de um lápis e papel, pra te despejar nele?
Por que?
Voltem. As quero. 
Quero minha vida, aqui, sempre.
Quero esbanjar minha extrema felicidade, aqui.
Quero viver aqui.
Palavras, as amo. Deixem-me viver.
Aqui.



21.03.2013